calma, não é pra cortar o pescoço ninguém. a navalha de occam é uma linha de pensamento, lá da idade média, da qual se fundamentam dois princÃpios: o princÃpio da pluraridade, onde a pluraridade não deve ser determinada sem necessidade. e o princÃpio da parcimônia, onde não há por que fazer com mais o que pode ser feito com menos. juntos, estes princÃpios defendem que para duas explicações de um mesmo fenômeno, a mais simples, geralmente, é a correta.
certamente você já ouviu falar, no desenvolvimento web, que menos é mais. quanto menos burocracia, menos documentação, menos funcionalidades, menos tudo que não é essencial em um site, mais valor é agregado ao negócio, mais rápido o projeto é lançado, melhor o público navega, mais ágeis são as mudanças. enfim, isso nada mais é do que aplicar a filosofia de occam. meu tatatatatatataravô já utilizava occam para definir suas teorias mirabolantes e criar suas invenções. o povo do manifesto ágil não fez por menos, maquiou o conceito, adicionou uma coisa aqui, outra ali e criou tal manifesto.
se hoje william de occam tivesse twitter, o google – e outras milhares de empresas – iriam seguÃ-lo. eu lembro que quando comecei a criar layouts e fazer baboseiras no photoshop, eu achava o google o cúmulo do layout rabujento. mas mesmo assim ele vivia ganhado prêmio de design. kct! como pode um site que não tem nada ganhar o prêmio de design? depois descobri que eu criava layout pra mim mesmo, ou até pra outros designers, e não pro público-alvo. o público do google quer pesquisar, ponto. pra que colocar lá a história do google ou cadastro de newsletter na página inicial? “ssshlin”, passe a navalha. você já deve ter passado horas discutindo uma funcionalidade com o cliente e, até agora, nem ele nem você entenderam direito. “ssshlin”, passe a navalha.
tire tudo que é acessório, é incrÃvel como funciona. o desenvolvedor ganha, o cliente ganha e o usuário ganha. o primeiro por que não perde tempo com funcionalidades inúteis – estima-se que, na maioria dos softwares, 60% das funcionalidades não são utilizadas pelos usuários – o que é frustrante para um equipe que passou madrugadas o desenvolvendo. o cliente, por sua vez, paga menos, participa ativamente do processo e tem um produto consistente. o usuário, por fim, fica feliz em ter um software fácil de usar e que, de fato, faz jus à sua promessa básica, seja o resultado de uma busca ou um chat com os amigos.
em vez de encher um site de sal, pimenta, molho ou cominho (sei nem pra q serve isso), se não for realmente necessário colocar estes ingredientes, esquece, pode estragar. pense como o usuário, use o bom senso e filosofe com occam.



